O sangue é composto por diferentes tipos de células suspensas em um líquido que chamamos de “plasma”. O sangue é um tecido que consiste principalmente de glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos.

Os grupos sanguíneos são determinados por proteínas encontradas na superfície dos glóbulos vermelhos chamados de “antígenos”. Os dois sistemas antigênicos mais importantes e bem conhecidos são o sistema AB0 e o sistema Rh.

O sistema Rh (Rhesus) ou antígeno D é baseado na ausência ou presença de uma proteína específica na superfície membranosa das células sanguíneas vermelho. Se esse antígeno ou proteína estiver presente, diremos que a mulher é Rh positiva e não terá anticorpos contra esse antígeno; esta é a situação mais comum.

Mas se os glóbulos vermelhos não tiverem a proteína Rh em sua superfície, será dito que o paciente é Rh negativo e terá anticorpos contra a proteína . Geralmente, isso não implica nenhum problema para a saúde da pessoa, mas é importante na mulher que enfrenta uma gravidez.

Em que consiste?

– É chamado Incompatibilidade de Rh quando a mãe é Rh negativo e o bebê é Rh positivo, pois o corpo da mãe reage ao sangue da criança como se fosse uma substância estranha, criando anticorpos contra o sangue da criança.

– Esses anticorpos, em geral, não causam problemas durante a primeira gravidez, uma vez que os primeiros anticorpos que se formam são do tipo IgM, que são agrupados e são muito grandes, de modo que não podem passar da placenta.

– No entanto, depois de algum tempo, o corpo da mãe vai produzir os mesmos anticorpos, mas do tipo IgG. Estes atravessam a placenta e podem causar problemas em gestações subsequentes se o futuro bebê for Rh positivo; os anticorpos podem passar para a placenta e atacar os glóbulos vermelhos, que são destruídos, causando anemia no bebê.

¿ Como é tratado?

Se uma mulher grávida tem a possibilidade de desenvolver incompatibilidade Rh (ou seja, somente se ela for Rh negativo), os médicos darão a ela duas injeções de imunoglobulina Rh (um tipo de vacina) durante a gravidez: a primeira, por volta da 28ª semana de gravidez, e a segunda, 72 horas após o parto. A imunoglobulina atua como uma vacina e impede que o corpo materno produza anticorpos Rh que afetam o recém-nascido.

– Por outro lado, se o médico descobrir que uma mulher já produziu anticorpos Rh (esses anticorpos são determinados para todas as mulheres grávidas em cada trimestre), você precisará monitorar de perto sua gravidez para garantir que a concentração destes não seja muito alta. É feito um acompanhamento ultrassonográfico especial, pois, por meio da técnica ultrassonográfica, pode-se estimar se o bebê tem anemia ou não, bem como o grau de anemia que sofre.

Se a incompatibilidade é grave, porque Suspeita de um grau de anemia grave no bebê, o que ocorre em raras ocasiões, ele terá que receber transfusões de sangue intrauterinas especiais por punção do cordão umbilical, semelhante a uma amniocentese.

– Se a anemia for detectada após o nascimento, o bebê passa pelo que é chamado de “exsanguineotransfusão” que consiste em “limpar” o plasma de anticorpos anti-D, enquanto as células sanguíneas são transfundidas.

O que é o teste de Coombs?

– O teste de Coombs indireto, também conhecido como teste de antiglobulina indireto, é usado para detectar se há anticorpos no sangue materno. É um teste não invasivo realizado por meio de uma amostra de sangue da mãe em cada trimestre da gravidez (semanas 10-12, semanas 24-25 e semanas 32-34).

Sim a mulher engravidar novamente e o teste de Coombs indireto for positivo, seria uma gravidez de alto risco, que deve seguir um protocolo específico, controlado pelo ginecologista.

 dra.ines tamarit Dra. Inés Tamarit Degenhardt
Diretora da Unidade de Diagnóstico Pré-natal do Hospital Quirónsalud San José